O EMPREENDEDORISMO RELIGIOSO:Evolução das Religiões no Brasil e Seus impactos na Educação

Francisco Adri Sergio de Freitas
Disponível em: www.sociologiadaeducacao.com.br

RESUMO
A religião é um fenômeno cultural que antecede a espiritualidade e o bem social de
uma determinada civilização. No Brasil, uma das primeiras manifestações culturais
surgiu com o Catolicismo Romano, por volta de 1500, difundido principalmente pelos
Jesuítas que, ao embarcarem com os portugueses, chegaram à terra que mais tarde
seria denominada “Brasil”. Com a chegada dos colonizadores, estabeleceu-se o
contato com os povos nativos, chamados pelos europeus de “índios”, iniciando-se,
assim, o processo de colonização. Ao constatarem que a população indígena não
seria suficiente para suprir a mão de obra escravocrata, os portugueses passaram a
investir na compra de pessoas escravizadas vindas da África, o que contribuiu para
formar uma sociedade marcada pela diversidade étnica, religiosa e cultural. Diante
do avanço de diversas tradições religiosas no país, a presente pesquisa analisa a
multiplicidade de crenças no Brasil, o empreendedorismo religioso, os impactos da
religião na educação e o descaso com a disciplina escolar. Ao longo do estudo, foi
possível observar as contribuições da religiosidade na formação dos educandos,
favorecendo o desenvolvimento de seres humanos melhores e estimulando valores
morais, éticos e culturais. Como método de investigação, foram utilizados livros,
artigos, revistas e dissertações. Palavras-CHAVE: Religião; Civilização;
Empreendedorismo; Marketing.

  1. INTRODUÇÃO
    A história das religiões no Brasil tem início com a presença da Igreja Católica a
    partir dos anos 1500. Com a chegada dos portugueses, vindos de diferentes regiões
    do continente europeu, a prática religiosa no território passou a ser representada
    principalmente pelos jesuítas, tornando-se oficialmente reconhecida como a religião
    oficial do Brasil em 7 de setembro de 1827 (GAARDER, 2000, p. 305). Os jesuítas
    organizaram a educação indígena em troca da conversão dos nativos, e, apoiada
    pelo poder político e pela influência dos grandes proprietários, a Igreja Católica deu
    início ao processo de evangelização. Segundo Bueno (2013, p. 50), é nesse período
    que se identifica a fusão das religiões representadas pelas crenças dos povos
    nativos com o catolicismo, observando-se a evangelização dos indígenas e a
    preservação de elementos culturais locais para o fortalecimento da Igreja. Esse
    processo repercutiu na educação dos indígenas e, posteriormente, na dos
    escravizados trazidos da África, contribuindo para a formação de uma religiosidade
    diversificada e fragmentada no país.
    No final do século XX, o crescimento de novas religiões e as divergências
    doutrinárias chamaram a atenção de sociólogos, teólogos e filósofos, evidenciando
    a proliferação de diversas igrejas, sobretudo no movimento pentecostal,
    representado pelas denominações protestantes. Segundo Romeiro (2005, p. 31),
    esse movimento pode ser classificado em ondas: a primeira, composta pela
    Congregação Cristã no Brasil e pela Assembleia de Deus; a segunda, por igrejas
    como Deus é Amor, Brasil para Cristo e Evangelho Quadrangular; e a terceira,
    marcada pela Teologia da Prosperidade, representada pela Igreja Internacional da
    Graça de Deus, Igreja Universal do Reino de Deus e Igreja Mundial do Poder de
    Deus. Com a presença crescente dessas expressões religiosas, observa-se sua
    influência na educação, seja por meio de feriados como São João (25 de junho),
    São José (19 de março) e Natal (25 de dezembro), seja pelo aumento significativo
    do número de igrejas cristãs no país.
    A disseminação dessas crenças e suas representações na educação
    evidenciam que os estudantes estão inseridos em uma cultura religiosa carregada
    de significados, signos e símbolos, o que contribui para o fortalecimento do
    empreendedorismo religioso. Essa busca contínua por bens materiais,
    frequentemente associada a determinadas práticas religiosas contemporâneas,
    reflete a influência do capitalismo, marcado pela competição, pelo consumo e pela
    valorização do sucesso individual.
    Ao analisar o fenômeno religioso brasileiro, esta pesquisa tem como objetivo
    geral verificar os impactos da religião na educação, bem como a presença da
    cultura religiosa na escola e o surgimento do empreendedorismo religioso. Entre os
    objetivos específicos, destaca-se a análise das formas como a educação lida com a
    diversidade religiosa presente no ambiente escolar. Assim, o trabalho contextualiza
    a história das religiões no país, o desenvolvimento do empreendedorismo religioso e
    os efeitos do fenômeno religioso na educação.
    A presente pesquisa adota o método bibliográfico, utilizando como fontes
    livros, revistas, monografias e teses de mestrado e doutorado que abordam o
    fenômeno religioso brasileiro e sua relação com a educação. Para facilitar a
    compreensão, o texto está organizado em seis seções: a primeira discute o contexto
    histórico do fenômeno religioso no Brasil; a segunda aborda o marketing da Igreja
    Católica no processo de evangelização dos indígenas; a terceira analisa a evolução
    histórica das religiões no país; a quarta trata do empreendedorismo religioso, com
    ênfase na Teologia da Prosperidade e em outras religiões brasileiras; a quinta
    discute os desafios do ensino religioso na educação brasileira e seus impactos; e,
    por fim, examina-se como o ensino religioso se manifesta no ambiente escolar,
    fundamentado no dispositivo legal da LDB 9.394/96, em seu artigo 33 (BRASIL,
    1996), que estabelece o ensino religioso como parte integrante da formação básica
    do aluno.
  1. CONTEXTO HISTÓRICO DO FENÔMENO RELIGIOSO BRASILEIRO
    A história das religiões no Brasil está fundamentada em dois grandes
    momentos. O primeiro tem como referência a evangelização promovida pelos
    jesuítas; o segundo corresponde à consolidação da filosofia da religião como um
    campo autônomo de pesquisa no país, marcada pela publicação da obra Católicos,
    Protestantes, Espíritas, de Cândido Procópio 1Ferreira de Camargo, em 1973.
    1 FATEC APOSTILA – Faculdade de Filosofia da Religião, p.(14, 2019).
    Nesse contexto, compreende-se que a formação religiosa brasileira está
    profundamente relacionada às grandes navegações realizadas pelos europeus e à
    chegada de pessoas escravizadas vindas da África. A partir desse processo
    histórico, o Brasil passou a ser composto por uma sociedade etnicamente diversa e
    marcada por múltiplas tradições religiosas, entre as quais se destacam Catolicismo,
    Protestantismo, Espiritismo, Candomblé, Adventismo do Sétimo Dia, entre outras.
  1. O MARKETING DA IGREJA CATÓLICA NA CONTRATAÇÃO DA MÃO DE
    OBRAS NA COLÔNIA

    Após a delimitação do espaço brasileiro, uma das primeiras metas do governo
    português foi a obtenção de mão de obra. Para isso, a Coroa recorreu inicialmente
    aos povos indígenas, que conheciam profundamente o território. Ao analisar essa
    relação entre a Coroa e as comunidades indígenas, percebe-se que a dinâmica
    favorecia os interesses coloniais, sendo dois pontos cruciais na educação indígena:
    o fortalecimento da religião católica e a utilização dos indígenas como força de
    trabalho na colônia. A conversão dos nativos não visava apenas inseri-los na Igreja
    Católica, mas também reforçar o projeto colonial, tanto nas atividades laborais
    quanto no processo de catequização. Ao observar essa interação entre
    colonizadores e povos originários, Luiz Mir faz a seguinte observação:
    “A identidade religiosa lusitana era demarcada pela fronteira de negócios comum
    com o Deus de Roma. Não havia sombra entre os domínios eclesiásticos e reis, feita
    da mesma essência política e religiosa (fé católica). Com a junção do trono com o
    altar na esfera política, da espada com a cruz no terreno militar, o poder real é
    colocado a serviço do trabalho missionário junto às populações pagãs para
    obrigatoriamente convertê-las e incorporá-las ao seio de Roma e, automaticamente,
    ao súdito do rei; ou vice-versa: o súdito do Estado deve necessariamente tornar-se
    fiel de Roma.” Segundo( Mir, 2007, p. 19).
    Em determinado momento do processo colonial, a integração entre os povos
    indígenas e os colonos da nova terra aparentou oferecer uma série de benefícios
    mútuos. Entre eles, destacavam-se a troca de objetos trazidos de Portugal, a
    introdução de novos elementos culturais e a sensação de estabilidade social,
    especialmente porque, segundo a percepção dos colonizadores, muitos aspectos da
    organização indígena eram considerados frágeis ou insuficientes. Entretanto, uma
    análise mais aprofundada dos registros históricos dos primeiros períodos da
    colonização revela que essa aproximação era, na realidade, parte de uma estratégia
    cuidadosamente elaborada pela Coroa portuguesa. Sob o discurso de proteção e
    evangelização, escondem-se interesses econômicos e políticos, cujo principal
    objetivo era transformar os indígenas em mão de obra útil para a exploração da
    nova terra.
  1. EVOLUÇÃO HISTÓRICAS DAS RELIGIÕES NO BRASIL
    Nesse contexto, torna-se evidente que o chamado “empreendedorismo
    religioso” teve seus primeiros contornos na aliança estabelecida entre a Igreja
    Católica e o Estado. Ambos tiveram papéis determinantes na reformulação dos
    modos de vida dos povos originários, submetendo-os a processos intensos de
    catequização e disciplinamento que tinham como finalidade última atender aos
    interesses coloniais. A conversão religiosa, apesar de apresentada como um gesto
    de caridade espiritual, estava profundamente vinculada a um projeto de
    subordinação econômica, resultando na transformação dos indígenas em mão de
    obra escravizada. Ao mesmo tempo, tal relação contribuía para fortalecer a
    Contrarreforma no território ultramarino, ampliando a influência da Igreja e
    garantindo aos senhores coloniais um maior controle social.
    A dinâmica entre Estado e religião, marcada pela interdependência e pela
    convergência de interesses, foi determinante para a consolidação de novas formas
    de organização religiosa ao longo dos séculos. Esse processo não apenas
    estruturou a hegemonia católica no período colonial, como também preparou o
    terreno para o surgimento de inúmeras outras expressões de fé no decorrer da
    história brasileira. Como consequência, estabeleceu-se no país um pluralismo
    religioso de grandes proporções, caracterizado pela coexistência de diferentes
    tradições, práticas, crenças e formas de organização comunitária, fenômeno que
    continua a influenciar profundamente a cultura, a educação e o comportamento
    social no Brasil contemporâneo, como aponta Gravarem:
    Hoje, a situação do quadro religioso brasileiro é de competição pluralista entre
    religiosidades as mais diversas. O quadro é de pluralismo religioso, energizado por
    um processo de conversão e reconversão muito complexo e dinâmico, com os mais
    diferentes movimentos de reavivamento das religiões tradicionais, além da
    incorporação de novas formas de religiosidade, a criação de novas igrejas e até
    mesmo de algumas novas religiões, não raro com a passagem do conversor por
    várias possibilidades de adesão religiosa. (GAAREM 200, p. 305).
    Considerando os diversos períodos da história da religião no Brasil e a pluralidade
    de igrejas que vêm surgindo, este estudo registrará, para fins históricos, as
    principais instituições religiosas de maior popularidade. Essa constatação tornou-se
    mais evidente a partir da década de 1990, conforme apresenta Gaaden, momento
    em que o cenário religioso brasileiro passou a demonstrar maior dinamismo,
    crescimento de novas denominações e reconfigurações significativas nas práticas e
    formas de pertencimento religioso.
    “Congregação Cristã do Brasil (desde 1910 no Brasil); Assembleia de Deus (desde
    1911 no Brasil); Igreja do Evangelho Quadrangular (desde 1953 no Brasil); Igreja
    Pentecostal O Brasil para Cristo (fundada em 1955); Deus é Amor (fundada no Brasil
    em 1962); e Casa da Bênção (fundada no Brasil em 1964). As igrejas
    neopentecostais mais representativas em tamanho e visibilidade são as seguintes,
    todas elas criadas no Brasil: Igreja de Nova Vida (fundada em 1960); Comunidade
    Evangélica Sara Nossa Terra (fundada em 1976); Igreja Universal do Reino de Deus
    (fundada em 1977); Igreja Internacional da Graça de Deus (fundada em 1980); e
    Renascer em Cristo (fundada em 1986).”(GAARDER, 2000, p. 313).
    Na religião, compreende-se que o indivíduo busca o sagrado, reverencia-o,
    presta-lhe culto e o adora. Esse sentimento direcionado ao sagrado evidencia um
    estado de quebrantamento, como aponta Lopes ao descrever uma experiência
    espiritual: “Na ocasião, pela bondosa ação do Espírito Santo, foram aquecidos com
    esta mensagem e muitas pessoas foram quebrantadas e tocadas pelo dedo de
    Deus” (LOPES, 2014, p. 17).
    Nas últimas décadas, vários estudiosos têm se debruçado sobre as mudanças que
    vêm ocorrendo no fenômeno religioso brasileiro. Cientistas da religião, sociólogos,
    historiadores e antropólogos, entre outros, têm analisado esse tema sob diferentes
    perspectivas. Observa-se, nesse contexto, uma busca constante por fama, prestígio
    e poder, elementos que, aliados à dinâmica da política brasileira, revelam a
    crescente influência de lideranças religiosas em parceria com partidos políticos.
    Assim, algumas religiões vêm ganhando espaço significativo no cenário político
    nacional.
    Segundo Batista (2007, p. 335), há algum tempo, líderes de duas grandes
    denominações — Assembléia de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus —
    apresentaram propostas para a reforma política. Conforme um desses líderes, tais
    sugestões se justificam por dois motivos: primeiro, porque a campanha eleitoral se
    torna mais barata; segundo, porque, quando a liderança da igreja permite que um
    político fale à congregação por até quinze minutos, os membros passam a sentir
    maior confiança, o que aumenta a probabilidade de garantir o voto evangélico.
    Dessa forma, a expansão de determinadas igrejas no país tem sido influenciada
    pela atuação da bancada religiosa na política brasileira. Essa observação histórica
    revela uma espécie de troca de favores que marca a relação entre religião e poder
    político. Um levantamento publicado em 26 de setembro de 2020, por um site da
    revista Carta Capital, apresenta evidências concretas da crescente inserção de
    religiosos na política, conforme destaca Magali Cunha.
    “São pelo menos 5.555 candidatos que usam alguma referência religiosa na
    identificação de urna (‘pastor’, ‘padre’, ‘mãe’) ou que registraram ‘sacerdote ou
    membro de ordem ou seita religiosa’ como ocupação. São quase 2% das 283.316
    pessoas que haviam registrado candidatura até 25 de setembro, incluindo 69
    candidatos às prefeituras das cidades em todas as regiões do país e 11.481
    concorrentes ao cargo de vereador. Entre esses candidatos com identificação
    religiosa, 82% utilizam os termos ‘pastor/pastora’ ou ‘irmão/irmã” MAGALY, 2018, p.
    23).
    Dessa forma, a partir dos argumentos apresentados, vale ressaltar que os
    interesses de alguns religiosos — com exceção de uma parcela significativa dos
    fiéis — revelam mudanças no modo como estes percebem o sagrado. Observa-se
    que, a partir da interpretação do texto bíblico, tem-se desenvolvido uma busca
    crescente pelo empreendedorismo religioso, construído por meio de uma linguagem
    simbólica intensamente marcada por elementos ritualísticos. Essa manifestação é
    legitimada como uma forma de intervenção divina destinada a beneficiar os fiéis.
    Em um dos encontros de denominações do movimento neopentecostal, Quitério
    (2018, p. 110) apresenta uma das características desse empreendedorismo
    religioso, exemplificada pelo relato de um fiel da Igreja Plenitude do Avivamento,
    que contribuiu com R$ 100,00 em troca de uma oração voltada à conquista de seus
    objetivos.
    “Segundo o ex-participante (C.V), 56 anos, a igreja possuía uma grande quantidade
    de material de construção dentro de suas dependências, embora ele não tenha
    conseguido dimensionar a quantidade exata. Naquele dia, o pastor Duque estava
    realizando campanhas com os tijolos, intituladas ‘A Construção dos Muros’. O
    participante daquela campanha deveria pagar por um tijolo e carregá-lo consigo. As
    mulheres deveriam colocá-lo em sacolas ou bolsas. Como ele possuía carro, deveria
    andar com o tijolo dentro do veículo, sob a promessa de que a vida do fiel que
    adquirisse aquele tijolo seria abençoada por meio daquele item de construção. O
    ex-participante relatou que comprou o tijolo e o mantinha sempre no porta-malas do
    carro, conforme instrução dada pelo líder da IAPTD, para que Deus o abençoasse. O
    valor de cada tijolo era de cem reais. No ano de 2016, a campanha continuou, mas
    dessa vez não mais com o tijolo em tamanho original, e sim com um pequeno
    chaveiro em formato de tijolo. Mediante o pagamento de cem reais, o fiel adquire o
    chaveiro e, segundo a campanha, teria sua vida coberta por 52 dias de oração.”
    (QUITÉRIO, 2018, p. 110).
    A história das religiões na contemporaneidade tem passado por diversas
    transformações, que se expressam em novas formas de vivência da fé e em
    modelos de conversão que carregam significados capazes de atrair adeptos das
    mais variadas instituições religiosas. Essas mudanças revelam uma dinâmica
    complexa, marcada pela circulação de fiéis entre diferentes tradições, pela busca de
    experiências espirituais mais personalizadas e pela ressignificação de práticas
    históricas. Nesse cenário, observa-se que denominações consolidadas, como a
    Assembleia de Deus (Ministério de Madureira) e a Primeira Igreja Batista,
    estabeleceram alianças estratégicas com a Igreja Universal do Reino de Deus,
    culminando na fundação do Conselho Nacional dos Pastores. Tal articulação,
    conforme aponta Silva (2010, p. 26), demonstra que o campo religioso brasileiro tem
    experimentado uma reorganização interna significativa, direcionada tanto pela
    necessidade de fortalecimento institucional quanto pela ampliação de sua influência
    social e política.
    A nova proposta do movimento da prosperidade tem despertado a atenção de
    públicos diversos — religiosos e não religiosos — em grande medida porque suas
    práticas discursivas e rituais se estruturam sobre uma matriz capitalista que dialoga
    diretamente com ideais de sucesso, ascensão social e conquista pessoal. Esse
    movimento se consolida ao promover a ideia de que a fé pode ser materializada em
    bens, resultados e prosperidade financeira, transformando o sagrado em
    instrumento de motivação e desempenho. Um dos exemplos mais emblemáticos
    dessa lógica é a construção da réplica do Templo de Salomão, um mega projeto
    arquitetônico que passou a receber visitantes de diferentes culturas e tradições
    religiosas de vários continentes. Essa diversidade de públicos gerou novas
    dinâmicas de interação que, por sua vez, produzem características históricas,
    étnicas, culturais, sociológicas e antropológicas inéditas no cenário religioso global.
    Dessa forma, o movimento não apenas atrai fiéis, mas também se firma como
    fenômeno sociocultural de alcance internacional.
  1. IMPACTO DAS DIFERENTES RELIGIÕES NA EDUCAÇÃO
    A educação no Brasil é formada por uma ampla diversidade de etnias, o que se
    explica pela presença histórica de diferentes povos que aqui chegaram trazendo
    suas tradições, costumes e culturas. Essa pluralidade étnica resulta da intensa
    miscigenação e da influência de migrantes vindos de distintas regiões do mundo,
    como portugueses, africanos, povos nativos, judeus, além de outros grupos que
    ajudaram a compor o mosaico sociocultural brasileiro. Ao longo do processo
    histórico, essas populações contribuíram significativamente para a construção da
    identidade nacional e para a formação dos valores que circulam na sociedade.
    Assim, compreender a educação brasileira exige reconhecer o impacto dessa
    diversidade na constituição dos espaços escolares e no modo como os alunos se
    relacionam culturalmente dentro deles.
    Considerando essa diversidade cultural, marcada pela convivência de diferentes
    povos, crenças e práticas religiosas, torna-se fundamental refletir sobre o papel
    dessas manifestações no contexto da educação nacional. A presença de elementos
    culturais e religiosos no ambiente escolar deve ser tratada como parte essencial do
    processo formativo, contribuindo para a inclusão, o respeito e o reconhecimento das
    identidades dos educandos. Nesse sentido, a escola assume um papel relevante ao
    promover o diálogo entre culturas e ao reconhecer tradições que se expressam por
    meio das vivências dos estudantes. Conforme destaca Rocha, a religião é uma
    experiência interior que se exterioriza nas relações sociais, influenciando
    comportamentos, valores e interações no cotidiano escolar.
  2. “A relação não é só individual e interior; é também social e histórica. A psicologia
    revela a origem da religião. A história revela a sua força e alcance na vida social.
    Isso é muito importante porque, hoje em dia, o desenvolvimento no estudo da
    psicologia traz uma afirmação revolucionária: que o ser humano é inicialmente social,
    não individual.” (ROCHA, 2010, p. 31).
    O Catolicismo Romano detém cerca de 64% da população brasileira, o que
    evidencia sua forte presença na sociedade. Em uma de suas festas consagradas à
    Nossa Senhora Aparecida, Rogério e Elesbão, em um texto publicado no site União
    Apostólica de Famílias, comentam:
    “[…] mas o importante é que hoje a festa da Mãe de Jesus e a festa das
    crianças, tão queridas por Jesus, coincidem em um único dia e, assim,
    unidas, essas duas celebrações alegram ainda mais o dia 12 de
    outubro.”
    (ROGÉRIO; ELESBÃO, 2016, p. 2).
    Ao conversar com uma estudante do primeiro ano do ensino médio, Anabella, ela
    descreve como esse significado é trabalhado em sala de aula e argumenta:
    “[…] a professora pede para nós trazermos para a sala de aula
    brinquedos e, ao finalizar a aula, a professora distribui balinhas.”
    A respeito da importância desse significado histórico e religioso na educação,
    compreende-se sua forte presença na formação do educando na atualidade,
    favorecendo a interação entre estudantes de diferentes crenças e estimulando o
    respeito à diversidade religiosa no ambiente escolar.
    O Catolicismo Romano detém cerca de 64 % da população, observando sua
    presença na sociedade brasileira, em umas das suas festas consagrada a
    2Nossa Senhora da Aparecida, Rogério e Elesbão em um site “União Apostólica
    de famílias”, comentam ¹(…) “ Mas o importante é que hoje, a festa da Mãe de
    Jesus e a festa das crianças, tão queridas por Jesus, coincidem em um único
    dia, e assim, unidas, essas duas celebrações alegram ainda mais o dia 12 de
    outubro. ROGÉRIO E LISBÃO, (2016, p. 2). Ao conversar como uma estudante
    do primeiro ano do ensino médio, Anabella, trás informações deste significado
    em sala de aula, e argumenta:
    2 ROMEIRO; et al ROGÉRIO, 12 de Outubro – Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia das crianças.
    Disponível em: uniaodefamilias.com Acesso em: 23 de Jan. de 2022.
    “[…] a professora pede para nós trazermos para a sala de aula brinquedos e, ao
    finalizar a aula, a professoras distribui balinhas”.
    Sobre a importância deste significado histórico e religioso na educação,
    entende-se sua forte presença no educando na atualidade, levando-os a se
    interagirem com colegas de religiões diferentes.
    O impacto das religiões no Brasil se evidencia pela expressiva diversidade de
    denominações presentes no país. Falcão (2009, p. 2) apresenta algumas delas:
    Cristianismo, Islamismo, Fé Bahá’í, Judaísmo, Hinduísmo, Ordem Rosa-Cruz,
    Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Espiritismo,
    Legião da Boa Vontade, Igreja Local de Witness Lee, Nova Vida, Meditação
    Transcendental, Nova Era, entre outras.
    Dentro do Cristianismo, especialmente entre as décadas de 1970 e 1980, dois
    grandes movimentos ganharam destaque no cenário religioso brasileiro. De um
    lado, o movimento pentecostal, representado por igrejas como a Assembleia de
    Deus; de outro, as denominações vinculadas ao movimento da Teologia da
    Prosperidade, representadas principalmente pela Igreja Universal do Reino de
    Deus, que ampliou sua presença e influência no país.
    Nessa pluralidade de religiões, o docente frequentemente se depara com alunos
    que, de alguma forma, representam essas tradições, uma vez que são influenciados
    pelas relações estabelecidas com pais, familiares e amigos. As pesquisas
    demonstram que a disposição legal amparada pela Lei nº 9.394/96 é assegurada
    pela Constituição; no entanto, observa-se que o tema ainda é pouco discutido com
    os alunos em sala de aula. Sobre esse assunto, Gomes comenta:
    Dentre a diversidade de estudos relacionados ao Ensino Religioso no Brasil, pouco
    tem sido produzido no sentido de ampliar a compreensão dessa disciplina nas
    escolas privadas. Em consequência disso, parte da população — e até mesmo
    alguns professores — incorre no equívoco de aplicar às instituições mantidas pela
    livre iniciativa as mesmas legislações e regulamentações concebidas exclusivamente
    para as escolas públicas (CAMARGO, 2015, p. 20).
    Ao constatar o crescimento das diferentes religiões no Brasil, observa-se, por outro
    lado, a carência do ensino religioso nas escolas, assim como a falta de docentes
    capacitados para explicar de forma clara os significados da religião para os alunos.
    Sabe-se que a compreensão do ensino religioso pode contribuir significativamente
    para o desenvolvimento dos princípios éticos, morais e culturais do ser humano.
    O que se percebe em muitas instituições de ensino é que o professor limita-se a
    explicar apenas o significado dos feriados, muitas vezes sem possuir conhecimento
    aprofundado sobre a biografia, crenças e tradições de determinada sociedade.
    Diante dessa ausência de conhecimento religioso nas escolas brasileiras,
    evidencia-se a urgência de sua implementação, considerando-a essencial para a
    formação cidadã e para o exercício consciente da cidadania.
  1. DESAFIOS DO ENSINO RELIGIOSO
    NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
    Pesquisas revelam que ainda estamos distante do que foi proposto pela Lei de
    Diretrizes Bases. Cientes de que o país adotou a laicidade (separação do Estado e a
    Religião), o ensino religioso na escola é obrigatório, mas considerado pelos
    pesquisadores como uma disciplina que pouco tem sido ensinada. Para Soares, da
    forma como se considera o ensino religioso nas escolas, dois papéis são
    extremamente relevante, a inclusão de docentes e as contribuições que esta disciplina
    traz:
    Desta forma, não basta apenas identificar apenas o crescimento religioso no país,
    considerar apenas os benefícios que esta traz para a educação, faz-se necessário um
    olhar para o ensino religioso na escola, além disso, é imprescindível que o docente,
    com ou sem conhecimento desta disciplina, considerando-a como disciplina correlata,
    explore-a, e que este não se deixe levar para a última aula como às vezes ocorre na
    sala de aula.
    Apesar dos desafios da aplicação do ensino religiosos nas escolas brasileiras,
    docentes com pouco conhecimento de filosofia da religião; considerando essa
    disciplina como parte importante no bojo da cultura brasileira, a presente pesquisa
    verifica grandes possibilidades de explorar esse conhecimento e aplicá-lo em sala de
    aula.
    Este túnel se abre a partir dos grandes avanços e crescimento do ensino de
    filosofia da religião. Além disso, nos últimos anos, percebe-se a oferta de vários cursos
    contendo essa disciplina, como: a Psicologia, História, Filosofia, entre outros. Assim
    considera-se que, se a educação brasileira conscientizar-se do ensino, visando a
    possibilidade da disciplina na sala de aula, com mais entusiasmo e clareza, haverá
    grande possibilidade da civilização brasileira se tornar mais ética, moral e humana,
    levando a prestação de uma solidariedade mais saudável.
  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS
    Após a apresentação resumida deste estudo, incluindo seus propósitos e desenvolvimentos
    ao longo dos últimos anos da contemporaneidade, é possível perceber a multiplicidade das
    religiões no Brasil, o crescimento do empreendedorismo religioso e seus impactos na
    educação. Isso se deve, em grande parte, à diversidade étnica do país e à riqueza cultural
    resultante da presença de descendentes de portugueses, indígenas, afrodescendentes,
    japoneses, ingleses, espanhóis, entre outros.
    Apesar das transformações ocorridas, dependendo do contexto histórico e da metodologia
    adotada, foram identificados problemas significativos, tais como a pouca ênfase dada ao
    ensino religioso nas escolas, a formação insuficiente de professores em filosofia da religião
    e a ausência de conteúdos capazes de conscientizar e engajar os alunos sobre seu papel
    diante do fenômeno religioso, da ética, da moral e do convívio social.
    Ainda que tais problemas sejam visíveis na sociedade, na educação e na cultura,
    acredita-se que a inclusão adequada do ensino religioso no ambiente escolar contribui de
    maneira significativa para o desenvolvimento ético dos discentes. Dessa forma, a disciplina
    pode auxiliar tanto os alunos quanto a sociedade e as famílias a desempenharem papéis
    fundamentais, promovendo a formação de uma geração futura mais consciente,
    responsável e otimista.

REFERÊNCIAS
BANDEIRA, Alexandre Dresch. A canibalização simbólica do Templo de Salomão pela
Igreja Universal do Reino de Deus e rabinação de Edir Macedo. Disponível em:
https://midiaticom.org/anais/index.php/seminario-midiati. Acesso em: 15 jan. 2022.
BAPTISTA, Saulo. Cultura política brasileira. Tese de doutorado apresentada à
Universidade Metodista. Disponível em: https://www.metodista.br. Acesso em: 05 jan. 2022.
BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. São Paulo: Editora Leya, 2013.
CUNHA, Magali. Religião e política: mais do que nunca se discutem. Disponível em:
https://www.cartacapital.com. Acesso em: 06 jan. 2022.
GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das
Letras, 2000.
LOPES, Dias Fernando. O batismo com fogo. Minas Gerais: Editora, 2014.
MIR, Luiz. Partido de Deus: fé, poder e política. São Paulo: Editora Alaúde, 2007.
ROCHA, Alessandro. Uma introdução à filosofia da religião na história do pensamento
ocidental. São Paulo: Editora Vida Nova, 2010.
ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a graça. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2005.
CAMARGO, Raquel Adriano Momm Maciel de. [Título não informado]. Disponível em:
https://opet.com.br.

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